debaixo da pele

Thursday, November 12, 2009
Posted by UD

em minha breve existência já havia encontrado algumas belas garotas, mas nenhuma delas chegava aos pés de clara.


seria injusto com todas as outras tentar me perder em comparações, e mesmo que o fizesse, não seria apto de descrever seus atributos de forma justa.

não, ela é o tipo de mulher que deve ser vista ao vivo para ser devidamente compreendida.

pernas, boca, olhos, cabelo e pele não são palavras que a definiriam bem, principalmente se ditas por mim, que nada via além de sua forma interiça quando a fitava.

estávamos juntos já haviam três meses quando me veio a ideia de surpreende-la.

nada tínhamos em comum, mas no entanto nossos gostos se encaixam de forma surpreendente. 

era seu aniversário, e eu bem sabia que ela odiava as típicas comemorações da data, sempre fugindo do mundo atrás de seu lindo rosto mau-humorado.

para entender a clara, deve-se saber sobre sua história.

seus pais me diziam que antes dos 16 ela era uma menina normal, alegre até, mas que de 4 anos pra cá as coisas mudaram. 

ela não falava no assunto, mas pelo que pude descobrir, em um dia quando voltava da escola, um sujeito desses de rua a estuprou, saindo impune depois por falta de provas.

essa era uma das razões, eu presumia, pela qual ela sempre exigia que as luzes estivessem apagadas.

era talvez também uma das razões pelas quais ela raramente sorria.

os seus dentes não eram particularmente belos, mas a simples noção de fazê-la sorrir já me deixava morno por dentro.

tinha preparado o apartamento com violetas, suas favoritas, e já havia tomado todas as precauções necessárias para a devida  proteção.

coloquei-lhe a venda nos olhos ainda no corredor, e a fiz jurar que não ia espiar.

abri a porta e a ajudei a caminhar pela sala.

moro em um prédio afastado, cercado por algumas montanhas, longe dos barulhos da cidade.

meus vizinhos são compostos, em sua maioria esmagadora, por idosos já sem muita sensibilidade de audição.

entramos no quarto e sussurrei no seu ouvido para que tirasse a venda.

essa não era a primeira desse tipo de surpresas que eu fazia, mas a sensação de ver seus olhos aumentando de surpresa foi infinitamente superior a quaisquer outras.

ali estava o seu presente.

o mesmo sujeito de rua que havia, anos antes, visitado suas intimidades sem convite, completamente nu e devidamente banhado, preso pelos braços e pernas a uma cadeira de metal, por fita adesiva industrial.

estava amordaçado, e aparentemente dormia tranquilo.

ao seus pés uma pequena maleta com as mais diversas ferramentas de pressão e corte. 

as paredes estavam cobertas com plástico e as cortinas devidamente fechadas.

clara me olhava com espanto, mas havia em seu olhar um brilho que a diferenciava das outras.

eu sempre soube que havia nela algum tipo de semelhança comigo.

sem que fosse exigido explicações, ela me pediu que trancasse a porta e acendesse a luz.

o homem despertou quando ela lhe espremeu um dos testículos com um alicate de pressão.

ela era boa, cuidadosa e não tinha pressa.

tinha uma preferência por pequenos cortes, e quando eu lhe ensinei a utilizar as injeções  de adrenalina para que o infeliz não desmaiasse ela escutou com atenção.

era algo incrível vê-la se divertir.

depois de algumas horas finalmente acabou, abrindo com um corte único do bisturi a aorta do velho, que nesse ponto já não tinha os dedos de um dos pés nem os ante braços e um dos olhos.

terminamos a noite sentados na varanda, ela ainda manchada de sangue seco, tomando sorvete de uva e olhando a lua sumindo no céu.

foi aí que ela se virou pra mim e com o sorriso mais lindo da face da terra me disse "obrigada".

não consigo deixar de esperar ansioso por seu próximo aniversário.

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