não é que eu não goste de poesia, mas sua natureza me confunde.
palavras e frases soltas dificilmente despertam minha atenção.
talvez eu seja mesmo limitado.
talvez a infância pobre me privara dos mecanismos sócio-culturais necessários para a apreciação de tal fina arte.
mas não é não entender poesia que me chateia, mas sim não recordá-las.
sempre me falta a memória para que possa recitar a coisa certa quando o momento oportuno se revela.
e escrevê-las então? tarefa impossível para um bruto que nem eu.
fato é que me faria bem usar poesias em minhas peças.
alguma frase bem composta, que leve as pessoas a pensarem, "olha, ele não é um bruto afinal".
quem sabe até algum versinho em um cartão de negócios, borrifado com uma combinação sútil de essência de chocolate com perfume barato.
eu poderia, quem sabe, tatuar uma frase em minhas partes, para que as câmeras consigam captar em detalhe os verbetes entrando e saindo, entrando e saindo, simbolizando a mais magnífica das conjunções verbais com o organismo.
mas me falta a coragem para enfrentar as agulhas.
creio que jamais entenderei as poesias, mas espero que um dia elas me entendam.
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