
O garoto vinha andando com um sorriso na cara...
Atravessava a rua, sem olhar para os lados, parando de quando em quando para ajeitar os sapatos, que pareciam grandes demais para ele...
Caminhava como se nada no mundo pesasse, sempre sorrindo, sempre alegre...
Foi então que decidi segui-lo...
Algo me incomodava na felicidade exacerbada daquele moleque...
Andava atrás dele, com cautela, mas por mais que eu corresse ou gritasse, aquele garoto nunca ia me notar...A felicidade é cega...
O segui por alguns minutos, entrando por ruelas estreitas, tomando cudado com o barulho que os meus pés faziam no chão ladrilhado...
Praticamente ninguém andava pelas ruas, ja era quase noite, e as luzes ja podiam ser vistas acesas dentro das casas...
Me mantinha a uma distância segura do garoto, que andava depressa agora, os grandes sapatos fazendo barulho, que ecoava pelas paredes dos becos...
Saímos em meio a uma larga avenida, e ele continuava sua caminhada apressada...
Eu podia ouvi-lo cantarolando, nos intervalos entre seus passos, onde o barulho dos sapatos dava uma trégua...
Aquele garoto me irritava, a cada segundo que eu me via atrás dele, eu o detestava mais...
Ele entrou novamente em uma ruela, que o levou a um beco sem saída...
Virou, para voltar, e me viu...
Por um segundo, ficou me encarando, sorriso estampado na cara...
"Porque que tu ta rindo moleque?? Qual que é o motivo de tanta felicidade hein??"
"Por nada tio, eu só acho que a vida fica mais fácil se a gente sorrir"
Fiquei alguns segundos parado, refletindo... Então caminhei até ele e me agachei, ficando com o rosto na mesma altura do dele...
Com a mão esquerda dei lhe um forte tapa no rosto, que o fez cambalear e cair ao chão...
Me levantei e dei-lhe um forte chute no estômago, seguido de uma cusparada na cara...
Me ajoelhei e dei-lhe um murro no nariz com a mão direita, enquanto segurava seus cabelos com a esquerda...
Bati muito naquele moleque...
Depois da surra, ele desmaiou... vasculhei seus bolsos, e achei uma única moeda.. peguei-a e tirei-lhe os sapatos grandes, trocando-os pelos meus velhos...
Retornei a ruela e depois a avenida....
A lua ia alta no céu, eu andava jogando a moeda pro alto e cantarolando...
O barulho dos meus novos sapatos ecoava alto pela avenida...
Na manhã seguinte, quando despertou, o garoto aprendeu uma valiosa lição...
Não se pode ser feliz o tempo todo...
Sorria..
Tuesday, September 04, 2007Posted by UD
at 3:41 PM |
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1 comments:
eu discordo dessa lição. pq a felicidade real, pura, essencial, é invariavelmente benéfica.
mas a alegria chula, tida às vezes como felicidade, proveniente de sentimentos vazios, sim, pode ser negativa.
Prefiro uma pessoa que sorri do que uma que espanca. haha
só que tem uma coisa. se formos pegar essa história de uma maneira metafórica, e imaginarmos que esse cara que sorri representa a gente naqueles momentos em que "aproveitamos a vida" libertinosamente sem sequer lembrar do triste quadro de sofrimentos em que se encontram todas as pessoas da Terra, e sem mover um dedo para a amenização disso. E imaginamos assim, que esse espancador seja o mundo (ou Deus), que nos educa, ensinando-nos muitas vezes através de fortes dores, para vermos que não somos os únicos aqui, e que para sermos felizes, precisamos olhar para os outros, e sendo a bota grande ou pequena, o que importa é amarmo-nos.
A felicidade de um, passa antes pela felicidade de seus próximos, pois sem isso, ele não será pura e verdadeiramente feliz.
Amar ao próximo como a si mesmo,.
Profundo viu Thiagão.
abração!
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