"Duas coisas...
Primeiro, não chora...
Eu odeio esse povo que assim que vê uma faca começa a chorar... isso só faz piorar as coisas, então seja homem e segura a porra do choro....
Segundo...Não grita...
Já é estressante o suficiente fazer a porra do meu trabalho sem tem que aguentar um marmanjo gritando socorro...então, quando eu tirar essa fita da sua boca, é bom tu ficar caladinho...
Fica ciente disso, você ja morreu... sua vida acabou, pronto... não tem como escapar... eu vou te matar... é isso...
Não adianta gritar, chorar, rezar... Já era, hoje, você vai morrer, aprenda a lidar com isso...
A única coisa que resta pra você decidir nesse restinho patético de vida que você tem é o seguinte...
De que modo você quer morrer?
Quer morrer que nem homem? Ou quer morrer gritando que nem uma garotinha mijada??
É simples assim...
Você quer morrer confessando as merdas que fez? Conservando o pouco de honra que ainda resta nessa sua carcaça suja e nojenta?
Ou quer morrer escondendo tudo atrás de lágrimas e catarro seco?
Você só tem isso pra decidir...
E você não tem tempo pra isso, porque quem tem tempo são os vivos...
Então, é isso, o que vai ser hein?"
Eu sempre faço esse discurso logo depois que eles acordam...
Sempre funciona...
Depois de uns poucos segundos olhando pro nada, eles sempre confessam...
Aí eles assumem aquele ar solene, de quem tá fazendo um grande sacrifício, deixando a vida pra trás com orgulho, de cabeça erguida...
Filhos da puta...
Depois que desembucham tudo no gravador, eles nem choram mais...
Apenas olham pra mim, esperando o destino final, esperando a luz no fim do túnel, a tão merecida salvação...
Mas ela nunca vem...
Eles ainda não sabem, mas eu nunca mato ninguém...
Essa é a pior parte do meu trabalho...
Dar uma porrada na cabeça dos filhos da puta, mas sem poder mata-los...
É uma merda ter que "lutar limpo"...
Mas eu sempre faço isso, nunca matei ninguém...
Depois que confessam, os merdas fecham os olhos, então eu bato forte na nuca, e eles desmaiam...
No outro dia, acordam com uma dor de cabeça, achando que estão no limbo, mas completamente vivos...
Depois, a gente lança a fita na imprensa, e eles desaparecem do mundo...
De um jeito ou de outro eles deixam de viver...
Mas a minha frustração contínua no dia seguinte, com o próximo infeliz...
Eu odeio meu trabalho...
Trabalho Sujo
Thursday, September 06, 2007Posted by UD
at 3:49 PM |
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1 comments:
eh,, eu tenho uma professora que já passou por isso.
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