existem por aí falsos arautos, dizendo meias falas e pregando o desleixo
não que os odeie, pois por vezes são risíveis, mas o que me espanta é a passiva dissimulação com a qual levam suas vidas.
poses e cabelos em meio a cigarros e bebidas, relances de uma vida de meias-aventuras onde tudo é projetável e o centro é o seu umbigo
uma boa quantidade de meias amizades para que nunca se encontrem em meio a silêncios confortáveis e uma semi dose de criatividade para que não se passem por bufões, mas somente o suficiente para que não se exija maior dedicação nem trabalho
sim, volto a afirmar minha posição como defensor de um egoísmo saudável, mas deve-se ter certos padrões de conduta para que se assegure uma boa convivência com os não tão sociáveis e portanto neuróticamente inseguros como eu
devo confessar que me incomodo com os que aparentam ser geniais, mas mal sabem trocar sílabas e preferem o cantinho iluminado a solitárias horas de trabalho em uma sala escura
sim, sou e confesso ser uma pessoa sem muito zelo pelo social, no entanto me considero socialmente apto a fazer comentários degenerativos dirigidos aos que me agridem, mesmo que estes o façam de forma indireta
não digo que não gosto de pessoas, pois cultivo algumas seletas companhias que me compreendem em parte e compartilham interesses, mas fosse eu o líder fascista dessa nação, provavelmente mandaria executar, e participaria ativamente de alguns dos disparos em praças públicas, um bom terço da população que percebo ao meu redor
não toleraria meios sorrisos e principalmente meias verdades, propagadas ao ar livre em busca de auto-promoção
proibiria o uso de modelos de cuecas e regularia através de regras claras, a conduta a ser utilizada em meios diversos
por fim, inauguraria uma nação livre de poses e status, onde todos colaborassem de forma ativa para o meu bem estar, e me tratassem com sorrisos polidos e certa admiração
então eu andaria entre os passantes com um cigarro nas mãos, o cabelo atrapalhado, uma boa quantidade de meias amizades e uma expressão de plena certeza estampada no rosto, dessas que só se consegue quando se é efetivamente o centro do universo
passaria o resto dos meus dias torpe de felicidade, dentro de um mundo controlado, repleto de risos soltos e meias-aventuras inesquecíveis, teria status e diversas poses no armário, incomodaria a todos com a minha presença e enfim seria respeitado.
por fim voltaria a minha sala escura colocaria uma bala na cabeça..
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