O sujeito encontrava-se escornado no sofá, em frente a um grande aparelho de TV.
Alienava-se do mundo ao seu redor, seus olhos encarando algum ponto distante, inexistente...
Ao fundo ele podia ouvir os berros histéricos de uma criança.
Seu filho chorava desesperadamente, gritando e esperniando.
Pedia atenção, pois o resto não lhe faltava...
Podia ouvir também os gritos agudos de sua esposa, rugindo para que ele se levantasse e a ajudasse a controlar a situação...
Sentia-se preso... e não se movia.
"Como pude deixar a situação chegar nesse ponto?" pensava...
Aos poucos ele foi se fechando.. e ja não escutava mais os berros e gritos de sua "família".
Havia alcançado o total isolamento interno... onde tudo parecia mais calmo, mais sereno.
Nesse estado de total alienação ele lembrava de algo que almejara durante toda a sua existência... algo que neste momento era apenas uma lembrança distante...
Sua utopia.... ele lembrava-se de seu desejo por ela...
Ele lembrava de sua vontade, de sua necessidade por liberdade...
O homem se sentia limitado... castrado...
Um forte tapa no rosto o trouxe novamente para o mundo real.
Era sua esposa que berrava furiosa
- Não vai controlar a situação? Ele é seu filho também! Afinal você é um homem ou um cão?
Sem proferir uma palavra o sujeito se levantou.
Ele sabia oque tinha de ser feito...
Caminhou até a cozinha e escolheu, da gaveta de facas, a maior e que mais lhe parecera afiada.
Voltou com passadas vagarosas até sua mulher
- Oque você vai fazer com isso? - Disse ela com um olhar de desdém.
- Respondendo a sua primeira pergunta_disse o individuo com calma_ Eu vou sim controlar a situação. E respondendo a segunda pergunta, eu sou um homem e não um cão...
E com esses dizeres cravou a faca na garganta de sua esposa.
Ela foi ao chão, morta...
Ele retirou a faca de seu pescoço e caminhou lentamente até o quarto do seu filho, onde este ainda berrava e esperneava...
A criança, com seus 10 anos de idade virou a cabeça para porta.
Com a visão do pai, suas lágrimas de crocodilo cessaram no ato...
-Pai?? que isso?
O homem andou e agachou-se do lado do seu filho.
Segurou o seu pescoço e aproximou a faca da garganta da criança.
-Pai?? Você não me ama?
O homem parou, e olhando para o menino disse.
-Amo.... mas foda-se o amor, eu quero ser livre.
E então cortou com um golpe brusco a garganta de seu filho, que sangrou até a morte..
Deixando a faca e o corpo do garoto de lado voltou a sentar no sofá.
Ligou a TV... e respirou fundo...
Ele sorria...
"Pof"
Um violento tapa no rosto o fez despertar, estava em seu sofá...
- Você não vai controlar a situação? ele é seu filho também! Afinal, você é um homem ou um cão?
Estava confuso, mas percebera que tudo havia sido um sonho, ele havia adormecido sentado...
O homem então sorriu para sua esposa, e levantou-se, dando-lhe um forte abraço e um beijo em seguida.
Caminhou até seu filho e o abraçou, carregando-o no ar.
Levou-o até a sala e ainda sorrindo abraçou sua esposa novamente.
Nunca os amara tanto como agora.
Não mais se sentia preso, agora estava livre..
E essa liberdade salvara, de certa forma, a vida de sua família...
Sua utopia havia feito as pazes com sua realidade.
Assim ele finalmente havia encontrado a tão rara felicidade .

1 comments:
vc andou lendo muito arnaldo jabor...
falando nele, eu quero ele emprestado tb qdo eu puder le-lo.
..
.
(sim! eu abuso dos meus amigos!xD)
Post a Comment