Utopia Psicótica

Friday, October 13, 2006
Posted by UD


O sujeito encontrava-se escornado no sofá, em frente a um grande aparelho de TV.

Alienava-se do mundo ao seu redor, seus olhos encarando algum ponto distante, inexistente...

Ao fundo ele podia ouvir os berros histéricos de uma criança.

Seu filho chorava desesperadamente, gritando e esperniando.

Pedia atenção, pois o resto não lhe faltava...

Podia ouvir também os gritos agudos de sua esposa, rugindo para que ele se levantasse e a ajudasse a controlar a situação...

Sentia-se preso... e não se movia.



"Como pude deixar a situação chegar nesse ponto?" pensava...



Aos poucos ele foi se fechando.. e ja não escutava mais os berros e gritos de sua "família".

Havia alcançado o total isolamento interno... onde tudo parecia mais calmo, mais sereno.

Nesse estado de total alienação ele lembrava de algo que almejara durante toda a sua existência... algo que neste momento era apenas uma lembrança distante...

Sua utopia.... ele lembrava-se de seu desejo por ela...

Ele lembrava de sua vontade, de sua necessidade por liberdade...

O homem se sentia limitado... castrado...



Um forte tapa no rosto o trouxe novamente para o mundo real.



Era sua esposa que berrava furiosa



- Não vai controlar a situação? Ele é seu filho também! Afinal você é um homem ou um cão?



Sem proferir uma palavra o sujeito se levantou.

Ele sabia oque tinha de ser feito...

Caminhou até a cozinha e escolheu, da gaveta de facas, a maior e que mais lhe parecera afiada.

Voltou com passadas vagarosas até sua mulher



- Oque você vai fazer com isso? - Disse ela com um olhar de desdém.



- Respondendo a sua primeira pergunta_disse o individuo com calma_ Eu vou sim controlar a situação. E respondendo a segunda pergunta, eu sou um homem e não um cão...



E com esses dizeres cravou a faca na garganta de sua esposa.

Ela foi ao chão, morta...

Ele retirou a faca de seu pescoço e caminhou lentamente até o quarto do seu filho, onde este ainda berrava e esperneava...

A criança, com seus 10 anos de idade virou a cabeça para porta.

Com a visão do pai, suas lágrimas de crocodilo cessaram no ato...



-Pai?? que isso?



O homem andou e agachou-se do lado do seu filho.

Segurou o seu pescoço e aproximou a faca da garganta da criança.



-Pai?? Você não me ama?



O homem parou, e olhando para o menino disse.



-Amo.... mas foda-se o amor, eu quero ser livre.



E então cortou com um golpe brusco a garganta de seu filho, que sangrou até a morte..

Deixando a faca e o corpo do garoto de lado voltou a sentar no sofá.

Ligou a TV... e respirou fundo...

Ele sorria...



"Pof"



Um violento tapa no rosto o fez despertar, estava em seu sofá...



- Você não vai controlar a situação? ele é seu filho também! Afinal, você é um homem ou um cão?



Estava confuso, mas percebera que tudo havia sido um sonho, ele havia adormecido sentado...

O homem então sorriu para sua esposa, e levantou-se, dando-lhe um forte abraço e um beijo em seguida.

Caminhou até seu filho e o abraçou, carregando-o no ar.

Levou-o até a sala e ainda sorrindo abraçou sua esposa novamente.

Nunca os amara tanto como agora.

Não mais se sentia preso, agora estava livre..

E essa liberdade salvara, de certa forma, a vida de sua família...

Sua utopia havia feito as pazes com sua realidade.


Assim ele finalmente havia encontrado a tão rara felicidade
.

1 comments:

Amanda Veloso said...

vc andou lendo muito arnaldo jabor...

falando nele, eu quero ele emprestado tb qdo eu puder le-lo.

..
.
(sim! eu abuso dos meus amigos!xD)