Zombie - Parte - #25

Monday, September 24, 2007
Posted by UD


Eu acordo com gosto de sangue seco na boca....


Minhas mãos estão presas com fita adesiva a uma cadeira, e eu estou completamente nu..


É impressionante a frequência na qual eu tenho me encontrado nessa situação ultimamente...


Na minha frente, um careca gordo, usando uma camiseta branca e suspensórios vermelhos, ajeita algumas ferramentas em uma mesa de escritório...


Só estamos eu e ele no recinto, aparentemente uma sala de algum advogado transformada as pressas em quarto de tortura...


Ele olha pra mim e sorri...


"Ahh acordou doçura?"


Eu realmente não consigo entender porque pessoas como ele insistem em utilizar jargões de vilões dos quadrinhos em situações como essa, talvez seja divertido ser um clichê ambulante...


Eu devolvo o sorriso...


Ele pega um martelo da mesa e chega perto de mim...


"Por onde você quer que eu comece hein?"


Eu sorrio...


"Bom, você poderia começar pelas costas por favor... eu tenho estado tenso a algum tempo já....é o estress da cidade grande.... "


Ele fica um pouco confuso, acho que não está muito acostumado a respostas desse tipo...


Depois de um tempo sem saber o que fazer, ele me da um murro no queixo e cospe na minha cara...


Eu simplesmente odeio isso, você pode arrancar um dedo meu, mas não cuspa na minha cara...


Eu sorrio denovo e levo mais um murro...


A essa altura eu ja me esqueci de quantos murros eu devo ter tomado na minha vida...


Ele esfrega a mão na calça e sorri, ficando com a aparência de um pão de queijo dormido...


" Você sabe porque está aqui??"


Eu dou mais um sorriso ensanguentado e falo, cuspindo um pouco de sangue e saliva...


"Alguem te contratou pra me matar... mas pediu pra você me torturar antes, e depois incinerar o meu corpo, certo?... Agora... e quanto a você? Sabe porque está aqui?"


O sorriso some do seu rosto redondo...


Defintivamente ele não está acostumado a respostas desse tipo...


Ele ergue o martelo no ar e quebra meus joelhos...


Eu fico surpreso ao descobrir que isso ainda dói...


Eu volto a sorrir...


O careca fica cada vez mais irritado, e me dá mais um murro, no nariz..


Algumas horas se passam, e depois de usar praticamente todo o seu kit de ferramentas, ele olha pra mim com uma expressão cansada...


Pelo que eu posso perceber eu estou com 7 costelas, dois joelhos e o nariz quebrados, o maxilar destroncado, e com queimaduras de charuto na genital e nos braços...


Eu levanto a cabeça e sorrio uma ultima vez...


Ele limpa o suor da testa com as costas da mão...


"Você é louco...."


Tira uma arma de um sobretudo pendurado em uma cadeira...


Com o cano contra a minha testa, ele pergunta...


"Alguma coisa a dizer?"


Eu levanto os olhos e respondo...


"Vai tomar no cu...."


O tiro ecoa pela sala...


A bala entra queimando no meu crânio...


Essa é uma coisa que nunca vai deixar de doer...


Eu abaixo a cabeça e relaxo o corpo...


Fico com os olhos fechados, mas mantenho o sorriso na cara..


O imbécil corta a fita das minhas mãos e me ergue no ar, me colocando em seu ombro...


Meus joelhos e minha cabeça latejam forte...


Eu luto pra não dormir...


Ele caminha até a a mesa e se agacha para pegar uma lata de gasolina, eu tateio o ar até encontrar algo pra usar como arma...


Minha mão acha uma caneta bic em cima da mesa...


Eu espero ele se levantar novamente, e quando ele volta a caminhar eu cravo a caneta nas suas costas...


Ele me derruba no chão e grita de dor...


Eu ainda não consigo andar, meus joelhos estão tortos, eu os coloco novamente no lugar com um estalo...


Ele gira em torno de sí, tentando tirar a caneta das suas costas, e acaba entornando a lata de gasolina no chão...


Eu fico observando a cena por alguns instantes...


Depois, eu me levanto e vasculho o sobretudo na cadeira...


Ele finalmente consegue tirar a caneta das costas, e me olha com uma expressão de profundo espanto no rosto...


Eu retiro um isqueiro do bolso interno do sobretudo, acendo e olho pra ele, sorrindo...


Ele pega a arma na mesa e atira duas vezes no meu peito...


Isso também nunca deixa de doer...


Ele da um gritinho agudo quando percebe que eu não caio, e volta a disparar, esvaziando o pente em meu peito...


Eu dou mais alguns passos pra frente e ele cai pra trás, assustado...


Eu jogo o isqueiro aceso aos seus pés e a gasolina acende, incendiando a sua perna e depois seu corpo...


Ele solta gritos agudos, lembrando um porco ao ser abatido...


Eu fico observando ele queimar no chão...


Depois de um tempo eu visto o sobretudo e caminho até a porta...


Descubro que estou no vigéssimo segundo andar de um prédio no centro...


Saio do elevador bem na hora que o alerme de incêndio dispara, acionando os jatos de água do teto...


Caminho pelo hall do prédio e saio as ruas...


Paro um poco e ainda consigo ver os bombeiros entrando...


Na manhã seguinte o jornal estampa a manchete


"Advogado obeso atiça fogo no próprio corpo e se mata"







4 comments:

Anonymous said...

Oieeeeee

Contos legais,

Blog legal,

só passando mesmo

xxxxxD

Lucas Alan Pinto said...

to sem tempo, mas amanhã comento.
bração ud!!!!!

Lucas Alan Pinto said...

violência pura.
dependendo da situação, acho que eu pareço um pouco com esse zombie.

Lucas Alan Pinto said...
This comment has been removed by the author.