Eu sou velho, tenho um pouco mais de 60 anos....
Sou sozinho, minha esposa faleceu a 10 anos atrás...
Moro em um apartamento grande, em um bairro desses chiques...
Não faço muita coisa, e nem gosto de fazer muita coisa...
Minha única razão pra viver é um hábito um tanto quanto nefasto que eu venho cultivando nesses últimos 7 anos de solidão...
Eu sempre tivera esse impulso, desde jovem, mas as fortes regras morais que regiam a minha vida não me deixavam exerce-lo...
Foi na solidão e na velhice que eu sucumbi a esse meu tenebroso desejo, e desde então me viciei, não consigo mais viver sem praticar essa doce imoralidade...
Eu sempre espero anoitecer, é mais fácil a noite, mais sombras pra se esconder, sem falar que a luz branca dos postes dá um contraste bonito quando bate na pele...
Eu pego o mesmo ônibus todo dia, que passa em frente ao meu prédio...
Não pago a passagem, por causa da idade, e o motorista é meu conhecido, ele já sabe onde eu desço...
Ele acha que eu estou indo ao famigerado baile da terceira idade, é bom ser velho, ninguém nunca desconfia que somos capazes de cometer alguma maldade...
Desço em frente ao clube, como de costume, e me despeço do motorista amigavelmente..
Tiro do bolso do paletó a velha boina e afundo ela em minha cabeça...
Eu sempre uso essa boina, foi presente do meu pai, a muito tempo, e quando colocada virada pra frente, ajuda a esconder o rosto...
Ando alguns quarteirões, procurando a minha vítima...
Eu prefiro mulheres, é bem mais prazeroso, no entanto não ligo muito se for homem...
Andando um pouco a minha frente, está uma jovem mulher, loira, de ancas largas, pele branca, nadegas empinadas, cabelo sedoso.... ela está usando uma saia bege, e uma blusa branca com um casaco por cima....posso ver que ela é muito bonita...
Aperto meu passo, meu sangue sendo bombeado mais depressa pelo meu coração cansado, a rua está deserta e os postes são a única fonte de iluminação, por isso eu adoro tanto esse bairro...
Vou me aproximando da jovem, devagar, sentindo a ansiedade tomar conta do meu corpo...
Começo a desafivelar o cinto, sem fazer barulho e a abrir o zíper da minha calça, também em silêncio...
Estou bem perto dela, quando assobio...
Ela se vira assustada...
Eu abaixo as minhas calças, e viro meu traseiro velho e redondo para ela dizendo...
" A lua está linda hoje não?"
Após alguns segundos de perplexidade ela se põe a me xingar
"Seu velho de uma figa....." "tarado!!"
É aí que eu começo a correr, rindo baixinho, arrumando a minha calça e deixando a moça pra trás...
Volto pro ponto em frente ao clube e depois ao meu apartamento, feliz da vida...
Esse é meu vício....
Minha razão de viver...
Eu sei que é algo vil, profano, mas é tão prazeroso...
Outro dia, no rádio eu até ouvi uma música, dessas populares entre os jovens, que falava algo sobre isso...
O lunático
Tuesday, January 09, 2007Posted by UD
at 6:31 AM |
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9 comments:
hu hu hu hu!!
excelente!!
Sabia que você ia jogar as lunadas em seus contos......
A música em questão seria "festa no apê"?
é a única que eu lembro que contém "vai rolar bunda lelê" na letra!
auhuahauahauhauha
muito bom!
Bem divertido!!
hauhauhauhahuhahuahuhauha
=******
No dia da premiére eu quero uma cadeira na primeira fila!
Um dos melhores textos que já li nesse blog!
=)
Mamamia...
Namoro um gênio da literatura!
Sorte minha :)
velho safado né.
coitada da moça. mas também, o que ela poderia esperar, sozinha numa rua escura no meio do nada.
fazer oq né. tem muita gente maluca nesse mundo.
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